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Some Favorite Essays, Short Stories, Novels

smakkabagms

Essays:
1. Helene Cixous - Laugh of Medusa 
2. Anne Carson - Evil and Suffering in Modern Poetry 
3. Kathy Acker - Myth of Romantic Suffering
4. Virginia Woolf - On Not Knowing Greek 
5. Adrienne Rich - Women and Honor: Some Notes on Lying
       - Adrienne Rich - Three Other Essays 
6. Alice Walker - Looking for Zora 
7. Anna Klobucka - Helene Cixous & Clarice Lispector
8. Joan Didion - On Self-Respect
9. Margaret Atwood - Am I a Bad Feminist? 
10. Jeffrey Meyers - The Savage Experiment: Arthur Rimbaud
11. Jennifer Nash - Practicing Love 
12. Paul J. M. van Tongeren - “A Splendid Failure” Nietzche Suffering
13. Albert HenrichsLoss of Self, Suffering, Violence: Dionysus 

Short Stories: 
1. Clarice Lispector - Love 
2. Anne Carson - 1 = 1
3. Margaret Atwood - Stone Mattress
4. Amy Bloom - Silver Water
5. Gunnhild Øyehaug - Same Time, Another Planet 
6. Anne Carson - Back the Way you Went 
7. Tatyana Tolstaya - Unnecessary Things
8.  Kirstin Valdez Quade - Christina the Astonishing (1150-1224)
9.  Clarice Lispector - One Day Less

Novels:
1. Helene Cixous - Stigmata 
2. Helene Cixous - Ex-Cities 
3. Helene Cixous - Three Steps on the Ladder of Writing (my favorite)
4. Jean Genet - A Thief’s Journal (another link)
5. Judith Butler - Bodies that Matter
6. Clarice LispectorAGUA VIVA  (my favorite)

Happy Holidays, friends. I hope you enjoy. - Love, E 

Source: smakkabagms literature stories authors writers women
ranchocarne-deactivated20190105
ranchocarne

“A internet nos anos noventa era um cabo branco que ia do meu computador até a tomada do telefone, atravessando a casa. Meus amigos de internet pareciam reais e eu me angustiava cada vez que caía a conexão, ou a eletricidade, e não podia encontrá-los para falar de simbolismo, glam rock, David Bowie, Iggy Pop, Manic Street Preachers, ocultistas ingleses, ditaduras latino-americanas. Uma de minhas amigas estava enclausurada, eu me lembro. Era sueca, tinha um inglês perfeito — eu quase não tinha amizades argentinas on-line. Tinha fobia social, dizia a sueca. Não lembro o nome dela. Não consigo recuperar seus e-mails, ficaram aprisionados num computador velho. Da Suécia me enviava documentários em VHS e CDs impossíveis de conseguir fora da Europa. Na época eu não me perguntava como ela fazia para chegar ao correio se supostamente não podia sair. Talvez mentisse. Os pacotes, de todo modo, chegavam da Suécia: não mentia sobre sua localização. Guardo os selos, ainda que as fitas dos vídeos já tenham se enchido de fungos e os CDs tenham deixado de funcionar e ela tenha desaparecido para sempre, um espectro da rede, e não posso procurá-la porque não lembro seu nome. Lembro-me de outros nomes. Rhias, por exemplo, de Portland, fanática por decadentismo e por super-heróis. Tínhamos uma espécie de romance, e ela me mandava poemas de Anne Sexton. Heather, da Inglaterra, que ainda existe e que, segundo diz, sempre será grata a mim por ter feito com que conhecesse Johnny Thunders. Keeper, que se apaixonava por rapazinhos. Outra garota que escrevia poemas bonitos dos quais também não consigo me lembrar, exceto algum verso ruim; “my blue someone”, por exemplo. Meu alguém triste. Marco se ofereceu para recuperá-las para mim. Todas as minhas amigas perdidas. Diz que o isolamento o transformou num hacker. Eu prefiro esquecê-las porque esquecer gente que só se conheceu em palavras é estranho, enquanto existiram foram mais intensas que o real e agora são mais distantes que os desconhecidos. Causam-me um pouco de medo, além do mais. Encontrei Rhias no Facebook. Aceitou minha amizade e eu a cumprimentei, muito contente, mas ela não me respondeu e nunca mais nos falamos. Acho que não se lembra de mim, ou lembra muito pouco, vagamente, como se tivesse me conhecido num sonho.”

— Mariana Enriquez, “Vermelho verde alaranjado”, in: As coisas que perdemos no fogo

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